Mito da Criação 7
Um dos livros que mais me ensinou a escrever ficção foi, surpreendentemente, Baudolino, de Umberto Eco. Indicado há alguns anos por uma colega de faculdade (abraço, Arihana!), logo nas suas primeiras páginas ele me abriu os olhos para uma realidade da qual eu ainda não tinha me tocado.
Contar uma história não é nada mais que mentir.
Observando o comportamento do personagem que empresta seu nome ao livro, notei que (spoilers? Só um pouquinho) as mentiras mais bem contadas são aquelas nas quais o mentiroso acredita de coração. Ou, como como já vi por aí, “magia é uma mentira tão bem dita que até Deus acredita”.
Portanto, para que suas histórias fluam, acredite nelas. Se você não acreditar, ninguém mais vai. Essa não é uma receita infalível, mas pode ser um ponto de partida. Comece contando uma mentirinha (um conto, uma história curta), depois vá adicionando cores e somando histórias. Reza o ditado que, para cada mentira contada, você precisa de mais sete para sustentá-la. É assim que os livros crescem na imaginação dos autores.
Só não tenha medo de ver seu nariz crescer, pois este tipo de mentira é, quase sempre, benéfico. Se lhe servir de alento, aprenda a lição com Clarice Lispector: “é claro que a história é verdadeira embora inventada”.
Um conselho? Se você não estiver muito atolado de compromissos, vá ler Baudolino. O livro fica de pé sozinho, mas vale cada página.◉